Algumas pessoas que leram o artigo Tarô: Podem as Cartas se Repetirem?, fizeram-me algumas indagações. A mais recorrente foi:

Qual o significado de haver repetição das cartas?
Bem, para quem não estuda o Tarô, é perfeitamente compreensível que talvez tenha ficado sem entender muito bem o que aconteceu.

Façamos uma analogia então. Ressalto que não sou boa em matemática, muito menos em probabilidade. Também não tenho conhecimentos sobre assuntos metafísicos, filosóficos e nada afim com isso. Mas sigamos então.

Imagine o jogo da Mega Sena – ok! Posso estar exagerando no exemplo, mas espero ao menos que compreenda -; agora imagine qual a sua chance em acertar. Certamente pensou “Ah! Minhas chances são mínimas.”
Com o Tarô seria parecido com isso. Ele é um conjunto de 78 cartas divididas entre 22 Arcanos Maiores e 56 Arcanos Menores. Em minhas tiragens, utilizo o método Europeu, que consiste de um Arcano Maior e um Arcano Menor por Casa. Ficando assim:
Mago + Ás de paus

Mago + Ás de Paus – New Palladini Tarot
Mago + Ás de Paus – Golden Botticelli Tarot



Se tenho de um lado um conjunto de 22 cartas e do outro um de 56, calculem – para quem souber, claro! – qual a probabilidade de haver repetição de Arcanos exatamente na mesma Casa. Não vale ser no jogo como um todo, tem que ser na mesma posição, que foi o que aconteceu no exemplo do artigo anterior, lembrando que o método utilizado foi o Peladan, que consiste de 5 Casas.


Agora, leia abaixo o que dizia Hajo Banzhaf – um dos mais renomados especialistas em Tarô:

“Se dispusermos as cartas duas vezes seguidas para a mesma pergunta, as cartas serão as mesmas?

É bem provável que não. Com freqüência, contudo, tiram-se cartas bem parecidas, de forma que a interpretação geral acaba por ser exatamente idêntica. As cartas também podem acrescentar um aspecto novo com relação à pergunta feita. Mas se o fato de fazer duas consultas em seguida se deve unicamente à curiosidade de fazer um teste para ver se as cartas de fato ‘funcionam’, elas deixam de funcionar. O fato não depende tanto de as ‘cartas desejarem castigar-nos pela curiosidade inadmissível’, mas muito mais da atitude anterior do leitor e do consulente: só onde houver uma sintonia perfeita entre o consciente e o inconsciente é que podem ocorrer fenômenos, como previsões, através da interpretação das cartas. Se o nosso inconsciente se posicionar diante do nosso âmbito intuitivo repleto de dúvidas, esse fato perturba a harmonia, e isso diminui ou torna sem valor a qualidade de previsão das cartas.”
Ficou claro o que significa a repetição de cartas? Principalmente nas mesmas casas? É algo que ainda me deixa maravilhada. Isso significa que o Tarô não mente! Além de haver uma real integração entre consciente/inconsciente.

Eu gosto, como já mencionei no artigo anterior, jogar para mim mesma. Fazer, por exemplo, a tiragem da Mandala que serve para vermos vários aspectos de nossa vida ao mesmo tempo – mente, financeiro, lar, amores, projetos,… -, para um período determinado (3 meses); ou então, uma Cruz Céltica sobre um assunto específico, também durante um tempo determinado; ou simplesmente pedir um conselho. Vencendo os prazos, costumo refazer as tiragens. E a repetição de Arcanos tem sido algo recorrente em meus jogos. A princípio, mesmo tendo conhecimento do que Hajo Banzhaf dizia, eu pensava o motivo ser por eu mesma estar retirando as cartas. Até que aconteceu da repetição se dar pelas mãos de outra Taróloga. Aí, não tem nem o que discutir!



Referência Bibliográfica:
BANZHAF, Hajo. As Chaves do Tarô. São Paulo: Editora Pensamento. p. 14